Black Friday 2025: mais de 7 mil tentativas de fraude por dia no comércio online

A Black Friday traz mais movimento nas vendas — e também mais golpes. Em apenas quatro dias do evento em 2025, o comércio online brasileiro registrou quase 30 mil tentativas de fraude. O número chama atenção não pelo tamanho, mas pela frequência: uma tentativa a cada poucos minutos, o dia inteiro.
O que os números dizem
Entre 27 e 30 de novembro de 2025, foram registradas 29.689 tentativas de fraude no comércio eletrônico brasileiro, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. Isso dá uma média de 7.422 tentativas por dia — ou cerca de 309 por hora, TI Inside. Se essas tentativas não tivessem sido identificadas, o prejuízo poderia chegar a R$ 30,7 milhões naquele período.
Para colocar em perspectiva: 309 tentativas por hora significa que, enquanto você atende um cliente pelo WhatsApp, responde um e-mail e separa um pedido, outros lojistas estão sendo alvo de golpes em algum ponto do país. A diferença entre ser vítima ou não costuma estar em práticas simples do dia a dia.
Como esses golpes costumam funcionar
As fraudes no comércio online raramente envolvem algo sofisticado. As mais comuns seguem padrões conhecidos:

- Compra com dados de cartão roubados: alguém usa o número de um cartão que não é dele para fazer pedidos. O dono do cartão percebe depois e pede o estorno. Quem vende fica sem o produto e sem o dinheiro.
- Pedido falso com comprovante adulterado: o comprador envia um print de pagamento que nunca foi feito de verdade. Isso acontece bastante em vendas pelo WhatsApp, quando o lojista libera o produto antes de confirmar o crédito na conta.
- Conta falsa se passando por cliente real: golpistas criam perfis com nome, CPF e endereço de pessoas reais para fazer compras e receber produtos em endereços diferentes.
- Link falso de loja: criminosos criam sites ou perfis que imitam lojas conhecidas e coletam dados de quem tenta comprar. Isso prejudica tanto o consumidor quanto a reputação da loja copiada.
Nenhum desses golpes exige conhecimento técnico de quem os aplica. E nenhuma proteção contra eles exige conhecimento técnico de quem quer se defender.
O que uma pequena empresa pode fazer antes da Black Friday
Não existe proteção de 100%, mas algumas práticas reduzem bastante o risco:
Nas vendas pelo WhatsApp:
- Só libere o produto depois de ver o dinheiro na conta, não no comprovante enviado pelo cliente. Prints podem ser editados.
- Desconfie de pedidos grandes de clientes que nunca compraram antes, especialmente quando pedem entrega urgente.
- Use um número de WhatsApp Business vinculado ao CNPJ da sua empresa. Isso facilita a identificação do seu contato oficial e dificulta que golpistas se passem por você.
Nas vendas pelo site ou loja virtual:
- Prefira meios de pagamento que façam a verificação do comprador automaticamente, como o Pix (que exige a chave do pagador) ou cartões com autenticação.
- Se o seu sistema de loja permitir, ative alertas para pedidos com endereço de entrega diferente do endereço de cobrança do cartão.
- Guarde registros de conversas e pedidos. Em caso de disputa, ter o histórico completo ajuda.
No dia a dia da operação:
- Oriente sua equipe sobre os golpes mais comuns. Muita fraude passa porque quem atendeu o pedido não sabia o que observar.
- Se você usa planilha ou caderno para controlar vendas, o volume da Black Friday pode fazer você perder o fio. Ter um registro centralizado dos pedidos ajuda a identificar padrões suspeitos.
Por que a Black Friday concentra tantos golpes
O raciocínio dos golpistas é simples: quando o volume de vendas aumenta muito em pouco tempo, as equipes ficam sobrecarregadas e os processos ficam mais frouxos. Uma loja que normalmente confere cada pedido com cuidado pode acabar aprovando compras suspeitas só para dar conta da fila.
Além disso, compradores legítimos também estão agindo mais rápido do que o normal — com medo de perder a oferta. Isso torna mais difícil distinguir o cliente apressado do golpista apressado.
O dado da Serasa Experian mostra que boa parte dessas tentativas foi identificada antes de causar prejuízo, TI Inside. Mas isso se aplica principalmente a operações com sistemas de verificação automática. Quem vende de forma mais manual — pelo WhatsApp, por exemplo — depende mais da atenção de quem está na linha de frente do atendimento.
Fontes
Para quem atende e vende pelo WhatsApp, o risco de fraude não é abstrato: ele aparece em forma de comprovante falso, pedido suspeito ou cliente que some depois de receber o produto. Ter o histórico de cada conversa organizado e saber quem comprou o quê — e quando — é o primeiro passo para perceber quando algo está fora do padrão antes que o prejuízo aconteça.
Foto de Blake Wisz no Unsplash.
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